Reportagem de Luiza Duarte para Opera Mundi:
Cada vez mais clientes brasileiros têm investido no mercado imobiliário internacional. Imóveis de prestígio em Paris vêm atraindo as novas fortunas dispostas a desembolsar uma média de 10mil euros por metro quadrado. Com o real forte e o aumento dos preços dos bens no Brasil, eles têm se dirigido para o aquecido mercado da capital francesa, ainda sinônimo de luxo.
Divulgação/John Taylor

Um apartamento de luxo no estilo do ‘gosto brasileiro’. Com a torre ao fundo, logiquement
“Desde o início do ano, começamos a sentir a chegada de duas novas nacionalidade: brasileiros e chineses”, revela Jean-Philippe Roux, diretor da agência imobiliária de luxo John Taylor. Esses novos compradores têm um pedido especial: a vista para a Torre Eiffel. “Isso é o que lhes interessa mais do que um bom endereço”, diz mostrando que o clichê ainda move as vendas.
O perfil de imóvel que procuram é antigo, com paredes em pedra, recentemente reformado e de dois ou três quartos, usado para receber amigos e desfrutar de temporadas na Europa. O valor da compra fica entre dois e três milhões de euros. “Não se trata de investimento, como é o caso de nossos clientes italianos ou ingleses, que procuram apartamentos menores para curtas temporadas e alugar quando não estiverem. É uma compra por prazer”, define.
Os ricos e milionários brasileiros, por sua vez, tem mais de 40 anos e são empresários bem sucedidos. Segundo Roux, que atende nove deles atualmente. Os donos destas fortunas recentes são casados e com, em média, dois filhos. Eles preferem o oitavo e o nono distrito, localizados na prestigiosa região do Triângulo de Ouro – entre as avenidas Montaigne, Georges V e Champs-Élysées, ou o bairro de Trocadéro, à margem direita do rio Sena.
Bom negócio
Há dois anos, o empresário brasileiro Roberto Haenel resolveu ampliar seu negócio de aluguel de apartamento de curta temporada em Paris para oferecer um novo serviço para seus conterrâneos: a busca de apartamentos especializada. “O cliente define seus critérios e faço a seleção. Visito quatro ou cinco imóveis por semana. Os que comprei há alguns anos por cinco mil euros ao metro quadrado hoje estão a 12 mil euros o metro quadrado. As pessoas não sabem onde pôr dinheiro, colocam em ações em dólares e eles desvalorizam. Investir no imobiliário é seguro e ele continua valorizando”, avalia Haenel, que cobra 3% do valor do bem comprado como comissão
Com dois milhões de habitantes, boa infraestrutura e segurança, Paris ocupa um lugar de destaque entre os endereços favoritos de quem não precisa economizar. Ao mesmo tempo, a cidade está se tornando mais barata.
Segundo a classificação da Menser, publicada este ano, ela é a 27ª cidade mais cara do mundo, 10 posições a menos que o ultimo ranking. Já São Paulo e Rio de Janeiro ocupam hoje respectivamente a 10ª e 12ª posição. “Está mais barato do que no Brasil. Os preços dobraram no Rio nos últimos três anos. Essas pessoas aproveitam para fazer um bom investimento, comprar um milhão de euros”. diz Haenel.
Luiza Duarte/Opera Mundi

Mercado imobiliário parisiense vive em constante ebulição, sempre com ofertas de imóveis luxuosos destinadas a emergentes
O fenômeno é recente e ainda não há dados que elucidem a importância financeira da presença desses novos clientes brasileiros no mercado francês. Outros estrangeiros, como norte-americanos, russos e chineses também seriam responsáveis pela prosperidade dos negócios imobiliários na cidade.
Para brasileiro ver
Para atender a nova clientela, as imobiliárias vêm investindo em profissionais especializados. “Já temos um negociador e um arquiteto chineses, outro negociador que fala português e agora teremos um arquiteto brasileiro que trabalha em Paris”, anuncia Roux, dizendo que é preciso estar preparado para a demanda que só deve crescer. Para ele, a garantia que o apartamento poderá ser reformado e decorado ao gosto do freguês, acompanhada pela presença de um profissional de confiança acompanhando as obras e que fale a mesma língua é um fator decisivo na hora da compra.
O número de clientes brasileiros cresce não apenas na aquisição, mas também no aluguel para pequenas estadias. O público é outro, menos abastado e originário das mais difrentes regiões do Brasil para passar férias em família. Os apartamentos mobiliados em zonas centrais, como o sexto e sétimo distrito, ficam perto das principais atrações turísticas e acabam sendo uma opção mais em conta que um hotel.
“Aumentou muito a demanda. O perfil mudou, antes eram só pessoas de classe alta, que já haviam vindo várias vezes. Hoje, nós temos pessoas que vêm pela primeira vez com trinta anos e que estão numa situação melhor”, diz Vinícius Costa da agência À la Parisienne, que aluga imóveis de 900 a 3mil euros a semana.
Empresas que têm investido em atender os turistas brasileiros não tem motivos para reclamar. “Começamos com três apartamentos para aluguel de temporada, agora temos 18. Todos 100% alugados”, diz o consultor. Ele afirma o crescimento da presença brasileira pode ser constatada com um simples passeio pelas ruas da cidade.